O Mistério: Capítulo Três
Capítulo Três: Misteriosos Visitantes
Todas as pessoas têm uma história para contar.
 
Roberto e Amanda saíram pelo castelo procurando os avós dele. Como a festa ainda estava muito animada, foi difícil de encontrá-los naquela multidão. Finalmente, viu a avó conversando com um dos convidados.
"Vovó, nós precisamos conversar em particular com você e o vovô."
"Nossa, aconteceu alguma coisa?" - perguntou Matilde, percebendo o nervosismo de Amanda.
"Nada muito sério, uma coisa que um dos convidados falou para Amanda." - tranquilizou-a Roberto.
Subiram para a biblioteca, entraram e fecharam a porta.
"O que há com vocês, por que não estão na festa?" - perguntou o Senhor Sílvio, intrigado
- "O que aconteceu?"
"Tive uma conversa estranha..." - Amanda começou a contar - "Com um homem, eu não consigo lembrar o nome dele agora... é estranho, se me esforço para lembrar o que aconteceu, a memória fica fugindo... Quase não consigo mais lembrar dele, a voz, o rosto... lembro que usava uma fantasia de época de veludo negro e foi muito educado comigo..."
"O que aconteceu nessa conversa que deixou você tão abalada?" - perguntou o Senhor Sílvio.
"Bom, não foi alguma coisa que ele disse!" - tentou explicar Amanda - "Foi alguma coisa que ele não disse, mas que eu tenho certeza que disse!" - ela estava ficando cada vez mais nervosa.
"Calma, Amanda." - falou Roberto, pegando sua mão tentando tranquilizá-la. A mão dela estava fria.
"O que foi que ele disse ou não disse?" - perguntou Matilde, impaciente.
"Diga a eles para tomarem cuidado, ninguém aqui está seguro. Ela voltou para cobrar velhas dívidas." - falou Amanda de repente, como se estivesse fazendo uma citação.
"O quê?" - exclamou Matilde, surpresa.
"O que isso quer dizer?" - perguntou Roberto, desconcertado.
"Eu não sei, eu não me lembrava disso!" - exclamou Amanda, tão surpresa como os demais.
"Muito bem, veja se você consegue se lembrar o nome desse homem, qualquer coisa. Eu vou telefonar para o inspetor de polícia." - falou o Senhor Sílvio.
"Eu gostaria de ir me deitar... Eu estou tão exausta! Por favor, o inspetor não pode ficar para amanhã?" - pediu Amanda.
"É melhor mesmo, Sílvio." - concordou Matilde - "Mais da metade dos convidados ainda estão aqui e eu não quero nenhum escândalo sobre esse assunto."
"Está bem, telefonaremos amanhã." - concordou o Senhor Sílvio.
 
O Inspetor Flores foi chamado no dia seguinte pela manhã e reuniu-se com a família no salão principal para discutir o caso. Ouviu a história contada por Amanda com muita paciência e pediu uma lista completa dos convidados. Anotou cuidadosamente a descrição do homem com quem Amanda convesara na noite anterior e interrogou cada um dos empregados separadamente. Depois de algumas horas, parecia que ninguém mais no castelo havia visto o misterioso homem além de Amanda, e só faltava falar com uma pessoa, Elaine, a jardineira. O Inspetor fez a descrição do homem para ela e percebeu que Elaine empalidecia, parecendo muito assustada.
"Ele usava uma roupa antiga de veludo escuro?" - perguntou ela, visivelmente abalada.
"Segundo a senhorita Amanda, um casaco longo de veludo negro com um lenço no pescoço" - confirmou o Inspetor. Elaine ficou um minuto em silêncio, olhando as expressões de cada um enquanto se decidia. Finalmente suspirou e começou a falar.
"Sim, eu o vi, mas sei que ninguém vai acreditar. Não foi aqui no castelo. Eu o vi no cemitério da família, ao lado da casa onde moro. Ele apareceu em meio às lápides, falou com meu marido. "
"O quê?" - exclamou Roberto, surpreso.
"Muito bem. Não vamos tomar conclusões apressadas. "- Disse o Inspetor Flores - "Nós iremos apurar a veracidade dos fatos. A senhorita tem idéia de quem é esse homem? A senhorita o reconheceu de algum lugar?"
"Eu sei quem é esse homem"- respondeu Elaine - "e vocês deveriam saber também, porque tem uma foto dele no salão de armas."
Ficaram todos surpresos e silenciosos. Podia-se ouvir os pássaros cantando no jardim do castelo.
"Onde é esse salão de armas?" - perguntou o Inspetor, o único que parecia não ter se abalado nem um pouco com a declaração dela.
"No segundo andar" - respondeu Matilde - "Eu posso levá-lo até lá."
 
O salão de armas ficava sempre trancado. Matilde pegou a chave na biblioteca e foram todos para lá.
Nas paredes do salão havia uma coleção de retratos pintados a óleo que representavam os antepassados da família M. Elaine foi até um dos retratos e apontou sem dizer nada. Amanda se aproximou do retrato, de olhos arregalados.
"É ele mesmo!" - exclamou ela, e sentou-se numa das cadeiras, com o choque da emoção.O Inspetor não parecia muito satisfeito.
"Bom" - disse o Inspetor com um suspiro - "Como é impossível que vocês tenham falado com um fantasma verdadeiro, minha conclusão é de que alguém está se fazendo passar por este homem para assustar a família. Agora precisamos investigar e descobrir os motivos que uma pessoa teria para fazer isso."
Ficaram todos em silêncio por um momento, então o Senhor Sílvio finalmente falou:
"O senhor tem razão, Inspetor, alguém está tentando nos assustar e parece que está conseguindo."
"Não se preocupem por enquanto" - falou o Inspetor - "Nós vamos investigar e descobrir quem são estas pessoas e o que querem. Eu quero que vocês entrem em contato conosco se qualquer outra coisa estranha acontecer, e por favor, mantenham segredo sobre estes acontecimentos."
 
Depois que o Inspetor foi embora, Amanda saiu pela porta lateral do castelo ainda a tempo de encontrar Elaine no portão, quando ela já estava indo embora para casa.
"Elaine!" - chamou ela - "Espere."
Elaine parou e olhou para a moça com uma expressão séria.
"Elaine, eu acredito que você e seu marido tenham visto o mesmo homem que eu. Eu não tenho nenhuma explicação para o que aconteceu ontem comigo e apesar do que o Inspetor possa dizer, eu acredito em você."
"Nunca aconteceu nada naquele cemitério."- suspirou Elaine - "Nós nunca nos importamos em morar ali ao lado, porque nunca aconteceu nada de mais. Era apenas um lugar bonito e triste."
"Por favor, me conte mais. Quando esse homem apareceu? O que ele disse?"
"Ele apareceu uns dias atrás." - começou a contar Elaine, muito séria. - "Meu marido costuma trancar o portão do cemitério sempre ao anoitecer. Era tarde, eu já estava dormindo, e Timothy já ia dormir também, mas ele escutou um barulho que parecia vir do cemitério e foi verificar. O portão estava aberto, e ele tinha certeza que tinha trancado, como faz sempre. Entrou no cemitério para verificar se não tinha algum animal mexendo em nada, às vezes cachorros ou guaxinins entram e cavam buracos. Então ele viu um homem parado perto das lápides, e não pôde acreditar no que via!"
 
"Olá, Timothy, prazer em vê-lo. " - disse o espectro calmamente para Timothy - "Eu vi que vocês limparam o mato que estava crescendo aqui, muito obrigado."
"Quem é você?" - perguntou Timothy, bastante assustado com a estranha aparição, que emanava uma fraca luz azulada e não parecia ser deste mundo.
"Almirante Jaime M, ao seu dispor." - o fantasma falava num tom de voz suave e educado. Timothy estava gelado de medo.
"O que você quer? Fizemos algo errado para que venha nos assombrar?" - perguntou Timothy. O fantasma parecia sério e triste.
"Não, Timothy, você e Elaine são ótimas pessoas. Elaine sempre traz flores e você cuida de tudo muito bem, nós todos somos gratos a vocês. Eu vim porque preciso lhe pedir um favor."
"Pode pedir e se eu puder, eu farei." - respondeu Timothy, sentindo as pernas pesadas, como se estivessem presas ao chão. Não estava sentindo tanto pavor agora, havia algo nos olhos e na voz do fantasma que o acalmara.
"Precisa colocar alguns nenúfares no mar, ali naquele local." - o fantasma apontou para a praia - "Você faria isso, por favor? É muito importante."
"Sim, eu farei." - respondeu Timothy, olhando para o mar escuro na direção onde o fantasma apontara. Quando ele tornou a olhar para os túmulos, o fantasma já desaparecera.
 
Timothy entrou em casa correndo e foi acordar Elaine. Ele a abraçou, tremendo.
"Timothy, o que houve? Você está gelado!" - perguntou ela, assustada.
"Eu vi... uma aparição no cemitério. Um... fantasma." - e Timothy contou tudo o que acontecera - "O mais estranho é que só senti medo de início, a pobre criatura me inspirou mais pena do que medo."
"Ele quer que coloquemos flores perto da praia?" - perguntou Elaine, impressionada com a história.
"Ele disse no mar."- respondeu Timothy - "Nenúfares, flores de água. Tem alguns na lagoa do outro lado, vou fazer isso agora mesmo."
"Eu vou com você, assim você não fica andando por aí sozinho no escuro, ainda mais depois desse evento estranho. Espere um minuto enquanto eu me visto."
Eles colheram e colocaram as flores no mar, no exato local que o fantasma indicara para eles.
"Espero que isso acalme essas pobre almas." - murmurou Timothy ainda muito impressionado pelo que acontecera.
"Espero que sim." - concordou Elaine, preocupada.
 
Elaine terminou de contar a história e ficou em silêncio. Amanda olhava para ela sem dizer nada. Finalmente, suspirou e colocou a mão no ombro de Elaine.
"Eu acredito em você Elaine. Mas essa história me deixa com mais perguntas que respostas. Eu... gostaria de conversar com ele outra vez, esse Almirante fantasma. Fico imaginando se há uma maneira de entrar em contato com ele..."
"Bom... " - disse Elaine - "Eu conheço uma mulher... dizem que ela conversa com os mortos... nós poderíamos falar com ela e perguntar se ela pode falar com ele... mas pode ser perigoso."
Amanda ficou um minuto em silêncio, suspirou e então respondeu:
"Bom, precisamos fazer alguma coisa. Eu sei que ninguém está realmente acreditando em nós, ainda mais depois que o Inspetor colocou a história toda como uma investigação policial. Então, temos que descobrir o que está acontecendo por nossa conta."
"Vou falar com ela, então." - suspirou Elaine.

...continua...