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| Capítulo Quatro: Conspirações |
| O que se esconde atrás daquelas portas? |
A misteriosa mulher que Elaine
conhecia vivia numa pequena casa de madeira perto do rio.
A mulher possuía uma loja na Cidade Velha, mas para
consultas espirituais especiais e mais sérias ela
recebia as pessoas em casa. Elaine e Amanda chegaram na
casa dela cedo, quando a mulher terminava de cuidar de
sua horta. Ela as recebeu com um aperto de mão, recolheu
os legumas numa cesta, levou-as até a casa, colocou o
cesto sobre um balcão na cozinha, abriu uma porta
trancada que dava para uma pequena sala onde havia
estranhos objetos mágicos, uma bola de cristal, velas,
bonecas de vudu e outras coisas arrepiantes, e mandou as
duas entrarem com ela. Olhou bem para as duas moças e
mandou que contassem a história toda, sem esquecer
nenhum detalhe. A mulher ouviu a história das duas sem
fazer nenhum comentário, acendeu algumas velas cheirosas
e consultou seus objetos mágicos, sussurando numa
estranha língua para uma caveira colocada sobre a mesa. |
Depois de alguns minutos ela
finalmente se virou para Elaine e Amanda e disse: "Existem uns espíritos muito perturbados. Para deixar os espíritos calmos é preciso descobrir o que eles querem. Existe uma história antiga aqui que precisa ser acertada. Eles não querem me dizer o que é. Decidiram que vão falar com vocês, e só com vocês. Vocês precisam levar flores no cemitério e conversar com o túmulo do homem que apareceu pra vocês. Precisam convencer ele a aparecer de novo e contar pra vocês como resolver esse problema!" A mulher deu algumas velas douradas para Amanda. "Leva essas velas" - disse ela - "Compra umas flores bem bonitas e coloca tudo no túmulo do homem. Fala com ele ali, ele vai ouvir, mesmo que você não veja ele. Pede pra ele vir conversar com você e ajudar você. Não precisa ter medo dele, esse espírito veio para ajudar, não para fazer mal. Eu sinto muito, mas é só isso que posso fazer por vocês." Elaine agradeceu e perguntou quanto custava a consulta. Amulher olhou séria para ela. "Pague o preço das velas, eu não vou cobrar mais nada. Tem um espírito aqui muito zangado, eu não quero aborrecer esse espírito ainda mais." "O homem?" - perguntou Amanda com um arrepio de medo. "Não, senhorita, é uma mulher, e ela está muito, muito zangada." |
Amanda foi com Elaine até o
cemitério da família, parando no caminho para comprar
flores. As duas ficaram silenciosas o caminho todo. Quando chegaram lá o marido de Elaine, ajudou Amanda a colocar as velas e flores nos túmulos, pois Elaine precisava ir trabalhar. Nenhum dos antepassados foi esquecido, Amanda decidiu que se os espíritos estavam zangados, era melhor tentar acalmar todos o máximo que pudesse. Quando terminaram, Timothy deixou-a ali sozinha, pois tinha outras tarefas para fazer. Amanda ficou por ali sentada e contemplando os túmulos e o belo jardim. Não havia uma alma por ali, o local era pacífico e bonito. Ela esperou até o anoitecer, mas não aconteceu nada. Timothy, cuidando da horta na casa ao lado do cemitério, olhava-a de vez em quando por cima do muro. Escureceu, e Amanda assistiu ao belo pôr-do-sol no mar. As horas se passavam e nada acontecia. Amanda falou baixinho, olhando o túmulo do Almirante: "Por favor, por favor, me ajude." - mas não houve resposta. Ela apenas ouvia o mar calmo e os sons dos pássaros indo dormir. Desanimada, Amanda desistiu e voltou para casa. |
Enquanto
Amanda visitava o cemitério da família, um estranho
acontecimento ocorreu no castelo. Um princípio de
incêndio ocorreu no antigo fogão da cozinha quando Dona
Matilde preparava um doce de maçã. Os bombeiros
chegaram a tempo de evitar que o fogo se espalhasse e
ninguém se machucou. Dona Matilde ficou muito abalada
com o incidente, indo se deitar com uma forte dor de
cabeça. O Senhor Sílvio ficou muito preocupado com o
ocorrido e pediu aos bombeiros que verificassem a origem
do fogo. Os bombeiros examinaram o fogão, mas não
encontraram nada que indicasse defeito ou alguma
explicação lógica para o fogo ter começado. Parecia
que o conteúdo da panela simplesmente tinha se
incendiado, e o capitão dos bombeiros sugeriu que talvez
Dona Matilde tivesse sido descuidada, mas aquilo pareceu
ao Senhor Sílvio pouco provável, conhecendo sua esposa
como ele conhecia. Dona Matilde era muito meticulosa em
tudo que fazia e nunca tinha sofrido um acidente na
cozinha como aquele em toda sua vida. |
No dia
seguinte, Amanda resolveu começar a fazer pesquisas
sobre a família M. Ela foi até o castelo, instalou-se
na biblioteca e começou a revirar os antigos livros em
busca de qualquer informação que pudesse ser útil.
Encontrou os registros oficiais da família, alguns
diários de bordo antigos escritos pelo Capitão Nelson,
filho do Almirante Jaime, mas nada neles dava qualquer
pista de por que os mortos estariam tão pertubados. Não
havia muitas referências ou detalhes das histórias
pessoais deles nos registros ou nos diários de bordo,
até onde Amanda conseguiu ler. Anoiteceu rapidamente e
Amanda sentiu-se cansada e sem ânimo. Além de não ter
encontrado nada de útil, ainda havia muito material para
ler. Repentinamente alguma coisa chamou sua atenção:
era um comentário pequeno sobre uma das antigas salas
nas torres. Ela lembrou-se de ter ouvido falar sobre
aquelas salas, há muito tempo atrás. Ninguém as usava
há muito tempo, estavam abandonadas. Amanda decidiu ir
olhar, poderia existir alguma coisa antiga esquecida nas
torres que a ajudasse a desvendar todo aquele mistério. |
A primeira
torre estava trancada, Amanda teria que pedir a chave
para Dona Matilde para entrar. A porta da segunda torre,
entretanto, estava destrancada, e Amanda notou que havia
luz numa das janelas mais altas. Ela entrou na torre com
cuidado, olhando em volta para ter certeza de que estava
sozinha. Sentia o coração batendo assustado, imaginando
quem poderia estar usando aquele lugar, e para quê?
Estava com medo de encontrar mais fantasmas. Subiu as
escadas e viu luz debaixo de uma única porta. Amanda
abriu a porta com cuidado e medo, mas o que encontrou ali
era completamente diferente do que esperava. A sala
continha um laboratório completo, com todos os sinais de
que alguém devia estar trabalhando ali secretamente, e
não tinha ninguém. O lugar estava limpo e organizado,
com muitos livros e papéis. Ela olhou rapidamente
algumas das anotações pregadas no painel na parede,
tentando descobrir quem estaria por trás daquilo. Não
havia muitas indicações do dono, somente comentários
desconexos e complicadas fórmulas químicas. Amanda
escutou o barulho da porta da torre se abrindo lá
embaixo e saiu rapidamente para o corredor, rezando para
quem quer que fosse, não a visse. Escondeu-se atrás de
uns baús e armários antigos e ficou esperando para ver
quem estava vindo. Pode ver claramente quando Marcos
passou por ela carregando uma caixa, entrou no
laboratório e trancou a porta. |
Amanda saiu
dali correndo e foi procurar Roberto. Encontrou-o no
corredor de entrada do castelo. "Roberto, preciso falar com você" - disse ela, aflita e sem fôlego por causa da corrida. "O que aconteceu?" - perguntou ele preocupado. "Eu estava fazendo umas pesquisas e descobri uma coisa sem querer" - disse ela, e contou a história toda para Roberto, desde sua estranha visita à mulher que lhe falara sobre os espíritos até como encontrara o laboratório secreto de Marcos enquanto procurava informações sobre os fantasmas. Roberto parecia muito aborrecido com a história toda. "Amanda, eu não acredito!" - falou ele, visivelmente contrariado - "Você está agindo de forma completamente irresponsável! Você foi até a casa de uma pessoa que nunca viu na vida para contar tudo o que aconteceu aqui? Como pode confiar tão cegamente nessa Elaine, sem saber se ela mesma não está envolvida nessa história toda? E decidiu também ficar bisbilhotando o Marcos? Amanda, isso tudo está muito errado!" "Eu não decidi bisbilhotar o Marcos, encontrei o laboratório sem querer!" - explicou Amanda, chateada com a reação de Roberto. "Mesmo assim, você não deve ficar andando pelo castelo e revirando coisas! Está errado, Amanda." - falou Roberto ainda zangado, mas num tom de voz carinhoso. "Eu pensei que você ia me apoiar!" - respondeu Amanda num tom triste. "Eu apoiaria você se você estivesse agindo de forma mais responsável. Nós devemos deixar que o Inspetor cuide dessa história, Amanda, e não ficar cavando confusão. Alguém, que não sabemos quem é, pode estar armando toda essa encenação para obter dinheiro dos meus avós ou pior, para machucá-los! Você precisa pensar neles!" "Você tem razão..." - falou Amanda sentindo-se culpada - "Eu sinto muito, eu não... pensei." "Tudo bem, já passou." - falou Roberto, suspirando - "Nós devemos telefonar amanhã para o Inspetor e contar tudo o que você andou fazendo, e você precisa me prometer que vai parar com essa sua investigação pessoal, está bem?" Amanda suspirou profundamente, desapontada. "Está bem." - concordou ela desanimada - "Vamos fazer do jeito que você quer. Sinto muito, eu não queria causar problemas, eu queria ajudar a resolver isso." "Eu sei, está tudo bem, a gente pode resolver essa situação." - disse Roberto, abraçando Amanda. Estava muito preocupado. A empregada apareceu, interrompendo a conversa. Elaine estava ao telefone, e queria falar com Amanda. "O que você acha, Roberto, não atendo?" "Não, não, vá atender, vamos ver o que ela quer." Elaine parecia muito perturbada no telefone. "O que aconteceu, Elaine?" - perguntou Amanda, com Roberto parado a seu lado escutando. "Aconteceu... uma aparição nova." - falou Elaine com a voz trêmula - "Uma mulher, no cemitério... um fantasma, chorando numa das lápides!" |
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