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| Capítulo Seis: Investigações |
| Quem conhece a bela dama triste? |
| Amanda ficou aliviada de chegar em casa. Sentia-se muito mal após aquela conversa com o espectro e desejou ardentemente falar com Roberto. Roberto estava estranho ao telefone, ele pareceu contente por Amanda ter telefonado, mas conversou com ela de modo educado e distante. Amanda ficou triste com a atitude dele, mas entendia por que ele estava assim. Aquilo fez com que sentisse a consciência ainda mais pesada por não poder contar para ele tudo o que acontecera, pois decidira mantê-lo alheio a tudo aquilo e tentar resolver a situação sozinha, para evitar que eles se desentendessem ainda mais. |
Marcos
completara o que considerava a mais perfeita fórmula que
já produzira até então. Ele contemplou o frasco
brilhante com um sorriso de satisfação e orgulho. Já
podia ver o futuro maravilhoso que teria, os artigos
científicos publicados, as entrevistas com jornais, o
dinheiro e melhor que tudo: Amanda seria dele finalmente.
Ele tomou o frasco de um gole só saboreando o gosto de frutas que adicionara na fórmula. Por alguns segundos não sentiu nada, então um incrível bem-estar se apossou dele e ele riu, satisfeito. |
| No dia seguinte, Amanda
foi ao castelo novamente para prosseguir com sua
pesquisa. Decidiu que uma conversa com o Senhor Sílvio e
Dona Matilde poderia ser mais produtivo do que continuar
procurando na biblioteca. Durante o almoço, começou a
perguntar sobre a história da família, tentando parecer
o mais casual possível, apesar da expressão séria e
triste de Roberto, percebendo que ela definitivamente
não faria o que ele lhe pedira. Dona Matilde e o Senhor Sílvio forneceram poucas informações úteis. Amanda logo percebeu que eles partilhavam apenas da história "oficial" da família, mas finalmente no final do almoço, o Senhor Sílvio fez um comentário útil: "O que mais sempre me encantou é que meu pai somente conheceu minha mãe porque ela era amiga da minha falecida tia." - disse ele - "Minha mãe às vezes dizia que ela sabia mais da vida de minha tia do que meu pai. ela tinha muito orgulho de terem sido amigas." "Oras, Sílvio" - falou Dona Matilde - "Mas isso não é óbvio? As mulheres sempre contam mais coisas umas às outras do que aos homens!" "Elas eram muito
amigas?" - perguntou Amanda, tentando não
demonstrar o quanto aquela informação lhe interessara."Ah, sim." - respondeu o Senhor Sílvio - "Meu pai conheceu minha mãe no enterro de minha tia. Não é um modo muito romântico de se conhecer uma pessoa, mas funcionou no caso deles. Eles estavam igualmente tristes com a perda de Julia e isso os aproximou." "Que pena que nenhum deles está mais por aqui para nos contar histórias, tenho certeza que seriam muito interessantes!" - suspirou Amanda. "Ah, mas minha mãe escrevia diários, Amanda." - falou o Senhor Sílvio - "Talvez algum dia você possa vê-los. Eu mesmo nunca os li, achava que seria uma intromissão na intimidade de minha mãe... mas quem sabe? Talvez um dia eu os deixe se tornarem públicos, depois que eu mesmo os ler." "Isso seria ótimo!" - disse Amanda. "Amanda, eu não sabia que você se interessava pela história da família!" - comentou Marcos, surpreso. "Vocês são como minha própria família para mim." - sorriu Amanda em resposta. Roberto comia em silêncio, sem olhar para ela. |
Quando a refeição terminou.
Amanda foi lavar as mãos e deu de cara com Roberto
esperando-a na saída do banheiro."O que você está fazendo?" - perguntou ele, triste. "Nada demais, só fui lavar as mãos." - respondeu Amanda disfarçando. "Amanda, por favor, você sabe do que eu estou falando." "Foi só uma conversa divertida e inocente, você está ficando obcecado, Roberto." "Se existe alguém aqui obcecado com alguma coisa, não sou eu Amanda." - disse ele com tristeza. E dizendo isso, ele passou por ela em direção ao salão. Amanda sentia um imenso peso no coração por mentir dessa forma para ele, e vê-lo triste daquela maneira piorava ainda mais a situação, mas ela se consolou com o pensamento de que por enquanto seria melhor dessa forma. Esperava apenas que ele pudesse perdoá-la quando tudo estivesse resolvido. Ela suspirou e tentou não pensar mais naquilo: tinha que descobrir um modo de encontrar os diários de Teresa sem levantar suspeitas. |
Naquela tarde, o Inspetor Flores
apareceu para o chá, para fazer perguntas e informar o
andamento das investigações. A empregada Kiki
aproveitou a tarefa para escutar a conversa. Kiki era
muito amiga de Elaine, e estava mantendo os olhos bem
abertos para qualquer informação que pudesse obter e
ajudar a amiga com os fantasmas que os assombravam. Kiki
serviu o chá e saiu da sala, mas ficou por ali,
escondendo-se atrás da porta para ouvir sem ser vista.
Logo percebeu pela conversa que o Inspetor não avançara
muito nas investigações, e achou-o francamente muito
incompetente, mas finalmente a conversa rendeu algumas
informações valiosas:"Sabe, Inspetor, meu marido fez um comentário interessante hoje ao almoço. Eu não sabia, mas minha sogra mantinha diários, onde escrevia sobre a família." "A senhora acredita que isso possa ser útil nas investigações?" "Os diários estão ainda guardados no lugar que sempre estiveram, eu mesma verifiquei hoje depois do almoço, mas imagino que poderiam ser úteis para mais alguém soubesse deles?Quem quer que esteja fazendo isso poderia usá-los para saber mais sobre nós." "É possível, pois até o momento estes criminosos estão agindo com muita psicologia." "O que me aconselha, Inspetor?" "Aconselho que mantenha os diários muito bem guardados, se possível, trancados." "Muito bem, então. Inspetor o senhor já tem algum suspeito?" "Por enquanto senhora, somente os de sempre: estamos mantendo os olhos abertos nos empregados da casa, até agora não temos suspeitos melhores que eles." Kiki mentalmente soltou uma praga contra o Inspetor e saiu rapidamente para pegar os diários. Dona Matilde tinha ido depois do almoço apenas ao quarto dela e ao jardim, e com certeza os diários não estavam no jardim! |
O quarto do Senhor Sílvio e Dona
Matilde tinha pouca mobília. Apenas a cama antiga, o
guarda-roupa, uma estante de livros e as mesinhas de
cabeceira. Os diários só poderiam estar na estante,
pois não havia cofre ali. Depois do conselho do
Inspetor, Dona Matilde com certeza iria trancar os
diários no cofre, por isso Kiki precisava agir rápido. Kiki entrou rapidamente no quarto deles e olhou a estante, preocupada que ninguém a surpreendesse por ali. Depois de procurar alguns minutos, encontrou uma coleção de pequenos livros antigos encadernados em couro e abriu um deles. Eram os diários. Kiki agradeceu mentalmente ap fato de que existiam apenas doze deles, mas ainda assim, eram um volume considerável para carregar. No quarto havia uma cesta no chão onde os M deixavam a roupa suja. Kiki colocou os livretos ali, cobriu-os com uma fronha e saiu casualmente do quarto. Se alguém a encontrasse e perguntasse qualquer coisa, ela estava apenas retirando a roupa suja. |
| Dona Matilde levou o
Inspetor até o terceiro andar. "Vamos pegar os diários e trancá-los no cofre" - falou ela. Naquele momento, Kiki estava passando no corredor, com a cesta de roupa, mas Dona Matilde não se importou, pois aquela era uma cena costumeira. Ela ficou perplexa, entretanto, quando notou o desaparecimento dos diários. "Os diários sumiram, Inspetor!" - exclamou ela, aborrecida. |
| O Inspetor agiu
rapidamente. Comunicou-se por rádio com a viatura parada
diante da casa e mandou o oficial que estava ali não
deixar ninguém entrar ou sair do castelo. Ele
rapidamente suspeitou de Kiki. "O que a empregada fazia aqui no corredor, Dona Matilde?" - perguntou ele. "Eu a vi com a roupa suja, acho." - falou ela, sem entender onde ele queria chegar. "E onde ela ia?" "Para a lavanderia, eu suponho?" - Dona Matilde franziu a testa. O Inspetor saiu correndo. |
Kiki estava na lavanderia quando
o Inspetor chegou correndo, sem fôlego. "Não...se... mova!" - resfolegou ele sem ar. A empregada fez uma expressão divertida. "Não estou me movendo!" - falou ela, tentando não rir. O Inspetor começou a esvaziar os cestos de roupa suja, jogando peças de roupas para todos os lados, mas não encontrou nada. Kiki assistiu a revista do local placidamente, como se não tivesse feito nada errado e nem soubesse o que estava acontecendo. Quando terminou, o Inspetor virou-se para Kiki com raiva e frustração: "Saiba que a senhorita é agora a principal suspeita deste caso!" E dizendo isso, ele saiu e foi para a frente do castelo falar com o oficial que estava lá, pisando duro. Kiki riu. |
Enquando Kiki
bancava a Mata-Hari, Helena apareceu para visitar
Roberto. Ela já percebera que havia alguma coisa errada
entre ele e Amanda. Apesar dele não comentar nada, era
impossível não notar, pois Roberto não conseguia
disfarçar a imensa tristeza que sentia e Helena começou
a imaginar um modo de se aproveitar daquilo a seu favor.
Ela começou a conversar com Roberto de modo inocente,
falando apenas sobre amenidades, para que ele não
suspeitasse das intenções dela. Roberto não estava com
muita vontade de conversar e logo fez-se um pesado
silêncio entre eles. Finalmente, Helena suspirou e
aproximou-se, acariciando seu braço e seu ombro."Você não pode ficar assim tão triste e calado, Roberto" - disse ela num tom carinhoso - "Vai lhe fazer mal. Quer desabafar, me contar o que está acontecendo?" "Não, obrigado, Helena, é muito particular." - respondeu ele, sério, afastando-a delicadamente - "Vai ficar tudo bem, é só uma questão de tempo." "Não vou dizer para você que você pode contar comigo como amiga, porque você sabe que eu sinto por você mais que amizade... mas é justamente por isso que me deixa tão triste ver você assim." - disse Helena. Roberto olhou-a nos olhos e não respondeu. Ficaram uns minutos em silêncio se olhando. "Eu vou pensar a respeito, Helena" - respondeu afinal Roberto. Helena sentiu-se exultante e não conseguiu conter um sorriso. |
| Amanda ficou surpresa
ao atender a campainha e ver Seu Zé, o zelador do
castelo, parado a sua porta com uma caixa de papelão nas
mãos. "Com os cumprimentos de Kiki" - disse ele de forma misteriosa, colocando a caixa no chão e indo embora. Amanda abriu a caixa, curiosa e ficou boquiaberta quando viu o que era. Tratou de recolher a caixa o mais rapidamente possível e escondê-la em seu quarto. |