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| Capítulo Nove: Conspirações |
| Como acalmar um fantasma furioso? |
Amanda
dirigiu-se até a casa de Elaine e Timothy. Chegando lá,
contou-lhes a história toda, mostrou-lhes as fotocópias
dos documentos e explicou sua teoria. Timothy estava
muito sério. "Você acha que a história faz sentido? É possível essa criança ser o filho de Julia?" - perguntou Amanda. "Sim, faz sentido, isso explicaria por que o fantasma do Almirante falou comigo. Os laços familiares parecem ser importantes para a comunicação deles conosco." - respondeu Timothy - "Quando eu era criança, meu avô, que já era muito velho, brincava comigo dizendo que devíamos ser gratos por existir, porque quando ele nasceu a mãe dele já tinha perdido as esperanças de ter um filho." Os três ficaram em silêncio. Amanda suspirou. "Não podemos correr o risco de tentar entrar em contato com Julia sem termos certeza. Se seu avô não for o verdadeiro filho dela, não sei o que pode acontecer. Não sei se ela tem como saber se isso é verdade ou não, mas tenho medo de arriscar." "Quero resolver isso" - disse Elaine, que tinha ficado quieta até então - "Eu voto por nos arriscarmos a falar mesmo sem ter certeza." "Um teste de DNA poderia confirmar se Timothy pertence à família M ou não." - arriscou Amanda. "Sim, mas como vamos fazer isso?" - perguntou Timothy - "Não podemos simplesmente ir ao castelo e dizer: Olá, desconfiamos que eu sou da família, podemos fazer um teste? Além disso, é muito caro." Amanda olhou-os seriamente. "Eu sei de uma pessoa que pode nos ajudar nisso, não tenho idéia de quanto possa nos custar, mas duvido que ele esteja interessado em dinheiro." - disse ela após um momento - "Marcos pode ajudar, ele tem acesso aos laboratórios da Universidade e é da família. Vale a pena tentar falar com ele." "Se você acredita nisso, Amanda, vamos tentar." - disse Timothy. Elaine concordou com um gesto. |
Amanda dirigiu-se ao castelo
naquela tarde e procurou Marcos. Ele estava em seu quarto
e pareceu curioso e surpreso de que ela quisesse falar
com ele, mas também muito satisfeito."Amanda, Amanda..." - disse ele com um sorriso - "Quem diria que você viria até aqui falar com alguém que não seja o Roberto!" Amanda engoliu a raiva que aquelas palavras lhe provocaram. "As coisas mudam." - disse ela simplesmente. "Mudam mesmo!" - comentou ele sempre sorrindo - "Ultimamente quem vem muito por aqui procurar o Roberto é a Helena, e eu devo dizer que ela parece muito contente! Mas vamos ao que interessa: o que posso fazer por você?" Amanda respirou fundo para se controlar e não colocar tudo a perder. "Eu preciso da sua ajuda numa história muito complicada." - disse ela, e contou a história toda de forma resumida, omitindo algumas partes, especialmente o fato de que ela mesma poderia ser parente distante dos M através da esposa do Almirante - ou a própria esposa dele reencarnada - e o beijo que dera no espectro. Marcos pareceu muito interessado na história toda. "Eu diria que é possível mesmo esse tal Timothy ser parente da família." - disse Marcos alisando a barba - "De fato, isso explicaria tudo, não é?" "Acredito que sim. " - respondeu Amanda, sem perceber a armadilha. "Muito bem, vamos analisar essa história de um ponto de vista diferente..." - propôs ele - "Vamos analisar do ponto de vista da polícia...mais precisamente, como o Inspetor Flores analisaria." Amanda arregalou os olhos. Marcos continuou: "Os Palmeira descobrem que são parentes distantes dos M, e decidem que não vão mais levar uma vida de empregados do castelo, quando podem levar uma vida muito melhor... sendo parte da família! Eles decidem então montar uma farsa, com a ajuda de um cúmplice, esse tal Almirante fantasma que você anda vendo, para criar uma situação onde consigam convencer você para ajudá-los a conseguir o que querem. Eu diria que o Inspetor pensaria que é uma boa teoria, e você?" Amanda conteve a vontade que sentia de esbofeteá-lo. "O que você quer para nos ajudar?" - disse ela numa voz cheia de raiva. "Nada demais, quero apenas a oportunidade de levar você para jantar e iniciar um relacionamento que poderia nos tornar mais íntimos... quem sabe pudéssemos mesmo chegar ao altar, se pudéssemos nos conhecer melhor?" - Marcos inclinou-se para beijar a mão de Amanda, o que ela permitiu, a contragosto - "Assim todo mundo ficaria feliz, não é mesmo? Eu e você, Roberto e Helena, Elaine e Timothy e todos os seus fantasmas... já posso imaginar como seria nosso futuro filho!" Amanda retirou sua mão das mãos dele. "Preciso pensar no assunto." - respondeu ela, com repulsa. "Pense logo." - disse Marcos com frieza - "Eu posso decidir não esperar muito e telefonar ainda hoje para o Inspetor." |
| Amanda desceu as
escadas angustiada e com raiva. Sua vida estava
desmoronando à sua volta e ela não sabia o que fazer.
Parecia que todas as alternativas apontavam apenas numa
direção: que ela jamais poderia recuperar o
relacionamento com Roberto e que teria que sacrificar sua
felicidade pessoal para resolver todo aquele caos. Não
sabia o que fazer ou com quem falar. Perguntou ao mordomo
se sabia onde Roberto estava e ficou ainda mais abalada
com a resposta: ele estava na casa de Helena. O mordomo
acrescentou que já havia mandado chamá-lo. Amanda
perguntou o por quê. "A senhora M passou muito mal, chamamos o médico e ele mandou chamar uma ambulância. Ela teve um ataque cardíaco, foi levada para o hospital." Amanda ficou consternada. "Marcos já sabia disso?" - perguntou Amanda. "Sim senhora, ele estava de saída para o hospital quando a senhorita chegou, mas resolveu receber a senhorita mesmo assim." - respondeu o mordomo. |
| Amanda chegou ao
hospital quase ao mesmo tempo que Marcos. Ela ignorou-o
no estacionamento, com raiva, dirigindo-se à recepção
a tempo de ver Roberto abraçado a Helena, próximo do
balcão. Amanda respirou fundo e se aproximou, seguida
por Marcos. "Como ela está, Roberto?" - perguntou Marcos, antes que Amanda pudesse falar. "Nós estamos subindo para vê-la. " - respondeu Roberto, ignorando Amanda completamente, e saindo abraçado a Helena. |
| Entraram no quarto onde
estava Matilde em silêncio. Amanda sentiu um aperto no
coração vendo-a ali deitada na cama. Matilde estava
pálida e parecia muito frágil. Amanda abraçou o Senhor
Sílvio e ficou ao lado da cama. Roberto abraçou o avô,
e o Senhor Sílvio disse que o estado dela era grave, mas
que o médico acreditava que ela tinha boas chances. Ele
parecia muito abatido e infeliz, e Amanda teve muita pena
dele. "Amanda, ela me pediu para lhe entregar isso." - disse o Senhor Sílvio, entregando um envelope lacrado para Amanda. Amanda agradeceu e guardou o envelope. Ficou mais um pouco ali, mas o modo como Helena e Roberto continuavam ignorando-a completamente, como se ela não estivesse ali, começou a incomodá-la terrivelmente. "Eu preciso ir." - disse Amanda finalmente, despedindo-se do Senhor Sílvio. "Mais tarde eu telefono para você, Amanda." - falou Marcos com um sorriso. "Está bem." - respondeu ela simplesmente. Roberto lançou um olhar interrogativo para ela, mas ela desviou o olhar e apressou-se em sair dali.
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| Amanda sentou-se em seu
carro e abriu o envelope. Havia uma pequena chave dourada
ali dentro e um bilhete. "Amanda, essa chave é da gaveta superior da minha escrivaninha na biblioteca. Você irá encontrar ali alguns documentos que eu sei que são importantes para você. Não posso lhe explicar agora como sei disso ou como esses papéis chegaram às minhas mãos, conversaremos mais tarde, Matilde" Amanda ligou o carro e dirigiu-se até o castelo. |
| O Mordomo recebeu
Amanda e imediatamente pediu-lhe notícias de Dona
Matilde. Amanda falou com ele o mais rapidamente que
pode, ansiosa por ir verificar o que Matilde lhe deixara.
Assim que conseguiu se livrar dele, subiu para a
biblioteca e foi verificar a gaveta da escrivaninha.
Dentro da gaveta havia um maço de cartas preso com uma
fita de veludo negro com um bilhete colado onde estava
escrito "Para Amanda". Amanda desatou a fita,
ansiosa por ver o que eram aquelas cartas, e mal pode
conter sua excitação: era a correspondência que o
Almirante M e sua irmã mantinham com uma parente. Amanda decidiu trancar a porta da biblioteca para poder ler aquilo tudo sem ser interrompida e sentou-se para ler. |
| Assim que Amanda saiu,
Marcos também se despediu de todos no hospital, dizendo
que tinha alguns compromissos urgentes que não poderiam
esperar. Ele foi para seu carro, sentou-se e usou o
celular para fazer uma ligação. Uma voz masculina
atendeu do outro lado. "Sou eu." - disse Marcos - "Estou ligando do hospital, minha avó vai ficar bem." "Isso é bom." - respondeu o homem do outro lado. "Amanda veio falar comigo hoje." - disse Marcos - "Nós tivemos uma conversa interessante, você vai gostar muito de saber os detalhes." "Pode vir até aqui?" - perguntou o homem. "Posso ir agora mesmo." - respondeu Marcos e desligou. |
| Quando Amanda terminou
de ler as cartas, já tinha anoitecido. Ela chorou em
silêncio por longos minutos, guardando as cartas na
gaveta e trancando-a novamente. Ela pegou o celular na
bolsa e discou. "Marcos? É Amanda. Eu já pensei o suficiente, quero que você me ajude com o teste de DNA e vou aceitar suas condições para me ajudar." |
| Uma semana depois,
Amanda estava em casa à noite quando a campainha da
porta tocou. Ela foi atender e ficou surpresa ao ver que
era Roberto. "Eu sinto muito vir até aqui assim, mas eu tenho um assunto muito importante para conversar com você." - começou a dizer ele quando foi interrompido pelo som do telefone. "Entre, eu vou atender o telefone." - falou Amanda. Roberto entrou, ficando parado em pé no meio da sala enquanto Amanda falava ao telefone da sala ao lado. Ela voltou em poucos minutos. "Eu preciso sair." - disse Amanda, retornando - "Preciso ir até a casa de Elaine, mas quero saber o que você tem para me falar primeiro." Roberto suspirou e começou a explicar por que viera.
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